Pintura
Ao longo do percurso desenvolvido no campo das artes plásticas, posso referir-me ao meu trabalho como uma investigação constante na temática do Espaço, por vezes surgindo em alguns momentos mais diluída do que noutros.
Esta temática tem sido desenvolvida quer a nível plástico, quer teórico, ao longo destes anos, reflectindo as minhas abordagens no campo da percepção visual e nos mecanismos de síntese.
Pois a visão não é apenas a capacidade de olhar, mas também é a espantosa capacidade que nos permite registar as sensações e percepções visuais.
A imagem que percepcionamos, é um significante ao qual, atribuimos um ou mais significados, esta operação advém dos diversos somatórios de sensações, de dados perceptivos, de códigos, de diversas relações de conhecimentos que vamos adquirindo. Foi este processo de síntese que me conduziu racionalmente à abstracção.
Baseada no mundo em que vivemos, onde o equilíbrio aparente das coisas está constantemente ameaçado por contradições ou oposições a cada passo verificáveis. A uns acontecimentos opoem-se outros, à direcção de certas formas sugerem-se as contrárias. Foi esta ideia da constante mutação, que eu tentei imprimir nos meus trabalhos.
Foi também toda uma lógica pictórica da abertura de janelas sobre o que fica atrás, da ocupação do espaço, da imagem em função do seu centro, das suas margens, dos seus cantos e diagonais, da transparência ou opacidade que motivaram as minhas opções pictóricas.
Esta abordagem da pintura, consiste em denunciar essa faculdade da imagem de se fazer uma cópia exacta do real. Qualquer imagem é analisada como uma interpretação/transformação do real.
A pintura é aqui um conjunto de códigos e de símbolos. Tal como dizia Pollock, “o mais importante não é a mensagem que o quadro transmite, mas sim aquilo que ele desperta no observador”, é este o meu ponto de focagem, na libertação das ideias preconcebidas que absorvemos do mundo através da percepção visual.

